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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Memórias


A postagem realizada fala sobre as memórias,  minha história de ontem, e a de hoje muitas acontecimentos mudaram meu modo de ver quase tudo, a chegada da Anna Luíza, minha neta fez eu querer mais que nunca estudar para ter um bom emprego para dar algumas coisas boas para ela, como uma boa educação, matricular ela numa escola onde valorize o conhecimento prévio do aluno e faça ele construir o seu aprendizado, esse é o melhor presente que os pais devem dar aos filhos, e isso vou ficar devendo para meus filhos. Do relato das minhas memórias fica evidente que hoje estou com mais idade, uns cabelos brancos, estou mais cansada, mais peso, e muitas vezes pega o desânimo.
E falando de PPP a escola onde atuei em 2014 esse documento não foi elaborado por todos os seguimentos, pelo que observei a comunidade escolar tinha seu representante, mas esse era pouco chamado, pois ouvindo uma pessoa do corpo docente dizer que esse participante não entendia de nada e chamavam somente para assinar os documentos, atas etc.
Sei que a verba é pouca para o tamanho da escola, mas valeria a pena se a gestão pudesse angariar algum projeto para conseguir ir arrumando a escola aos poucos. A merenda também era sempre as mesmas coisas, as vezes era so lanche direto, e outras vezes somente comida, sendo que a comunidade era umbandista e muitos não comiam arroz com galinha, e ficavam com fome.
E muito importante a instituição de ensino conhecer a comunidade onde esta inserida, e fazer com que essa participe de tudo dentro da escola. Essas pessoas são importantes e tem força de conseguir buscar junto com a gestão alguns meios de melhorar esse espaço onde as crianças ficam quatro horas diárias durante 200 dias letivos.
Havia na escola uma sala com muitos materiais que poderia fazer um mini museu dentro da escola, junto da biblioteca, onde os alunos pudessem ver como era antes, e os professores mostrar como eram as aulas, tem até arquivos com fotografias. Daria um bom fim para todo o material que esta se deteriorando com o tempo.
 Em 2016 tive a oportunidade de ir lecionar em Novo Hamburgo no bairro Canudos numa escola que tinha somente até o quinto ano. Uma escola onde a pedagogia era tradicional, mas a gestão era perfeitamente boa, com integrantes participativos de todos os seguimentos, com reuniões mensais onde a direção dava satisfação de tudo que gastava as verbas dessa escola. O espaço físico era amplo, higienizado, pintado, com salas de aula com ar condicionado e todo material que a gente precisasse para fazer as atividades com os alunos. A merenda escolar era maravilhosa e variada, a cozinha limpa como nunca vi em outras escolas estaduais que passei.
Logo que cheguei na escola a supervisora pedagógica me mostrou o PPP, onde li por cima, mas percebi que foi elaborado pela escola como dever ser feito, pensando em sua comunidade escolar. E no fim do ano voltaram a mexer no PPP, para mudar o modo de avaliação que era bimestre e passou para trimestre. Daí nesse momento eu participei, e expliquei como faziam nas escolas que já havia esse tipo de avaliação. Complicado foi ver a dificuldade que as colegas sentiram em somar até chegar a 100, e verificar qual era a média por cada trimestre, mas conseguiram.
Nessa escola aprendi que temos que ter um posicionamento e uma boa fundamentação teórica para apoiar o modo que estamos ensinando. A única coisa que não gostei que lá os alunos não decidiam nada, muito menos refletir, fui muito criticada quanto a isso, mas sempre que dava fazia eles pensar sobre o assunto e falar sobre suas concepções prévias sobre os conceitos estudados. E isso me doía  muito mesmo, mas sempre que podia fazia eles pensar, principalmente na área das ciências e matemática. para cada aula que formos dar, pois ali muitos pais participam direto da educação dos alunos, diferente da outra escola onde trabalhei. Os pais nessa escola tinham que agendar horário para falar com os professores, e no interior, muitos pais queriam saber quem eu era de onde vim etc. Por um momento quase mudei de vez para a cidade que me acolheu tão bem, somente para continuar trabalhando por lá.
A educação dos alunos era muito boa, onde a gente podia deixar a bolsa em cima da cadeira sem se preocupar que alguém pudesse mexer ou subtrair algo nosso. Atuei lá somente por quatro meses, quando chegou o fim de ano a despedida foi muito triste. Muitos pais na festa de Natal quiseram saber por qual motivo seus filhos foram chorando para casa.
Foi nessa escola que obtive a certeza que uma gestão democrática com todos os seguimentos sendo respeitados e participantes, tudo funciona muito bem, o único problema é que isso dá muito trabalho, mas quando a comunidade se sente parte integrante da instituição fazendo de tudo para ajudar a escola melhorar para ver seus filhos bem atendidos e com uma escola equipada com tudo funcionando. Percebi o respeito e o prestígio que a comunidade escolar tem pela equipe diretiva, principalmente pela diretora.

Retrato da Escola


Nessa postagem voltei em 2014 quando lecionei pela primeira vez como regente, para mim foi bem difícil vivenciar numa comunidade escolar totalmente carente financeiramente e afetivamente. Meus alunos vinham 80% de famílias desestruturadas, sendo criados a Deus dará popularmente falando. A escola era um local onde tinham um pouco de segurança, amor, alimento e tudo que uma criança precisa aprender em casa eles aprendiam com os professores. A escola como estrutura física era muito debilitada como a maior parte das escolas da rede pública, mas mesmo assim era bem melhor que seus lares.
Foi nessa escola que nasceu minha vontade de compreender como a criança aprende, e que resolvi sair da Licenciatura em Ciências da Natureza, com habilitação em Biologia e Química, para fazer o PEAD.
A gestão escolar, os professores, e os funcionários não acreditavam nos alunos que ali frequentavam, então escutei em uma das reuniões pedagógicas que com aqueles alunos não precisávamos nos esmerar nos planejamentos e nos ensinamentos, pois poucos chegaram no final da educação básica. E os demais seguiram as profissões dos seus pais, que eram papeleiros, profissionais do sexo, e até mesmo traficantes. Palavras absurdamente intensas, que jamais pensei escutar sair da boca de quem estava ali para acreditar que a educação um dia fará a diferença.
Além de observar isso atentamente, observei que muitos de nós professores vemos somente o feio, estragado, ruim, triste, e não conseguimos ver nos olhos daquelas crianças que não pediram para nascerem naquela situação, alunos com olhos sedentos de amor, afetos, fome, de aprender, e de ver que alguém consiga acreditar neles, pois em casa poucos possuem adultos para se espelharem e acreditar que estudando podem sair da situação em que se encontram.
Acho que uma atividade legal de se fazer com os alunos era mostrar o histórico da escola, como ela era no início, e os alunos que lá se formaram, e que os alunos que foram importante para a sociedade Porto alegrense, assim instigando os alunos de hoje querer fazer diferente, estudar, aprender e conseguir ter um índice positivo de aprendizagem. Como foi importante essa atividade, mesmo realizando ela depois que não estava mais na escola trabalhando, com ela pude observar o quanto um professor pode errar com seus alunos tendo pensamentos preconceituosos e discriminatórios.
Um dia a diretora me chamou atenção e me questionou: “Andreia como faz para teus alunos vir numa tarde chuvosa, e fria, tua turma está sempre cheia? Respondi: Faltam três alunos”. Ela sorriu me abraçou e seguiu para direção, e assim foi todo o ano letivo. Naquele momento que ela disse, não entendi o seu questionamento, hoje lembrando, de tudo novamente, veio essa memória, amei aquela turma de quarto ano, alunos complicados, brigões, revoltados, digamos que um tanto mal educados, pois adoravam dizer palavrões na escola, mesmo eles sendo assim aprendi a amar cada um deles e entender tudo que diziam, e na maneira de olhar.  Nesse ano letivo nunca faltei, e nunca os tratei diferente, abraçava a todos, e os que vinham me cumprimentar fazia igualmente. Nunca passei a mão por cima de nenhum deles, sempre fiz com que se sentissem iguais e que todos tinham chance de aprender. Os respeitava em suas particularidades e para conversar com eles e chamar atenção chamava e conversava no corredor, sem os deixar envergonhados sem expor diante da classe, e assim eles também faziam comigo me chamavam para conversar sobre qualquer assunto também no corredor. Cobrava tema, atividades que era para realizar em casa, mas com tempo fui percebendo que muitos deles não tinham o suporte familiar para ajudar eles em casa, daí dava uma folhinha ou um tema mais fácil.
Assim fomos construindo um laço de cumplicidade a turma e eu. Nesse ano nasceu a professora Andréia, e mesmo antes do PEAD, sempre revia meu dia numa reflexão de como melhorar, ou continuar o que deu certo.
Sinto saudades dessa turma, e gostaria imensamente de revê-los, hoje são adolescentes muitos indo para o nono ano, às vezes falo com a secretária da escola a única funcionária que permanece na escola, ela diz que estão bem, alguns ótimos, outros saíram, e uns repetindo e recuperando.
Essa escola faltava um pouco de bom olhar dos professores, funcionários e gestores, formular projetos e tentar melhorar a escola. Fazer a comunidade se sentir parte da escola, acho que faltou isso para deixá-la melhor. Ser menos impessoal, e deixar o preconceito e a discriminação de lado e pensar nos alunos.
Por isso, em novas escolas que entro para fazer qualquer atividade peço para dar uma lida no PPP da escola, e depois dessa atividade sempre procuro olhar a escola nos detalhes, procuro escutar os alunos e ler as entre linhas isso que vai me mostrar a verdadeira identidade escolar.